O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, supervisionou pessoalmente um teste terrestre de um motor de combustível sólido de alta potência, projetado para impulsionar mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs). A informação foi divulgada pela mídia estatal do país neste domingo (29). O avanço técnico é estratégico, pois indica que Pyongyang está mais próxima de possuir um arsenal nuclear capaz de atingir o território continental dos Estados Unidos com maior eficácia e menor tempo de preparação.
Este movimento eleva a tensão na região e globalmente, consolidando a postura da Coreia do Norte como uma potência nuclear autodeclarada e irreversível.
Combustível sólido: O salto tecnológico da Coreia do Norte
O teste focou em um motor aprimorado que utiliza material composto de fibra de carbono. A grande vantagem dessa tecnologia em relação aos mísseis mais antigos, que usam combustível líquido, é a operacionalidade. Mísseis de combustível sólido podem ser armazenados já abastecidos e prontos para o lançamento por longos períodos.
Os modelos de combustível líquido exigem um processo de abastecimento demorado e perigoso pouco antes do disparo, o que os torna vulneráveis a ataques preventivos, pois a movimentação pode ser detectada por satélites espiões. Com a nova tecnologia, a Coreia do Norte ganha em surpresa e capacidade de retaliação.
Poder de destruição ampliado: O que se sabe sobre o teste
Segundo a agência estatal KCNA, o teste demonstrou um empuxo máximo de 2.500 quilotoneladas, um salto significativo em relação às 1.971 quilotoneladas registradas em um teste semelhante em setembro passado. Especialistas internacionais alertam que esse aumento substancial na potência do motor não serve apenas para aumentar o alcance do míssil.
A maior capacidade de carga sugere que o objetivo final é a instalação de múltiplas ogivas em um único míssil ICBM. Se concretizada, essa tecnologia complicaria drasticamente os sistemas de defesa antimísseis dos EUA, que teriam que interceptar vários alvos simultâneos vindo de um único vetor.
Embora a KCNA não tenha revelado a data exata ou o local do teste, ele se insere no programa de cinco anos de expansão militar do país. Kim Jong-un elogiou o avanço, afirmando que ele tem “grande significado para elevar o poder militar estratégico do país ao mais alto nível”.
Desafios e repercussão internacional
Apesar dos avanços óbvios, a comunidade internacional de inteligência debate o estágio real da tecnologia norte-coreana. Alguns especialistas argumentam que Pyongyang ainda precisa superar desafios críticos, como garantir que as ogivas nucleares sobrevivam às condições extremas de calor e pressão durante a reentrada na atmosfera terrestre. Outros, no entanto, alertam para não subestimar o país, dado o tempo e os recursos investidos em seus programas de mísseis e nuclear.
A intensificação dos testes ocorre em um momento de retórica agressiva de Kim Jong-un contra o Ocidente. Recentemente, ele acusou os Estados Unidos de “terrorismo de Estado” e prometeu nunca abrir mão de seu arsenal nuclear, frustrando qualquer esperança de retomada das negociações de desnuclearização que fracassaram em 2019.
O teste de motor é um lembrete contundente de que a Coreia do Norte continua avançando em suas capacidades militares, apesar das sanções internacionais, buscando dissuadir o que considera ameaças externas e consolidar seu status no cenário global. Os desdobramentos políticos e militares na Península Coreana e as respostas de Washington, Seul e Tóquio serão cruciais nos próximos meses.
As informações têm como base apuração publicada pelo portal: G1.
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