O governo dos Estados Unidos se prepara para revogar até 200 mil vistos de turismo e negócios em uma das maiores ações desse tipo já registradas no país. Segundo apuração da agência Associated Press, com base em documentos do Departamento de Estado obtidos pela reportagem e em relatos de dois funcionários do governo americano, a medida deve atingir estrangeiros que entraram nos Estados Unidos como visitantes de curto prazo e, posteriormente, solicitaram ou estão solicitando status de asilo no país.
Caso seja confirmada, a ação será classificada como a maior revogação em massa de vistos já feita pelos Estados Unidos, segundo o mesmo levantamento. A expectativa é que o Departamento de Estado anuncie nas próximas semanas o cancelamento dos chamados vistos B1 e B2 — categorias destinadas, respectivamente, a viagens de negócios e turismo — emitidos entre 2016 e 2026 para pessoas que buscaram ou estão buscando asilo nos Estados Unidos.
O que motiva a medida
De acordo com o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, a ação é resultado de um trabalho conjunto com o Departamento de Segurança Interna (DHS) para identificar e revogar vistos de estrangeiros que declararam a intenção de fazer uma visita de curta duração ao país, mas que, uma vez em território americano, deram entrada em pedidos de asilo com o objetivo de permanecer de forma prolongada.
Na prática, o governo argumenta que uma parcela dos vistos de turismo e negócios concedidos ao longo da última década estaria sendo usada como porta de entrada para pedidos de permanência definitiva, e não para o propósito original informado no momento da solicitação. A revogação em massa seria, portanto, uma tentativa de coibir esse tipo de uso considerado indevido do documento.
Como o processo deve funcionar
A ação será conduzida em conjunto pelo Departamento de Estado, responsável pela emissão e cancelamento de vistos, e pelo Departamento de Segurança Interna, que cuida da fiscalização migratória dentro do território americano. A revogação recai especificamente sobre vistos de não imigrante — categoria que inclui turismo, negócios, estudo e trabalho temporário — e não deve ser confundida com o cancelamento de vistos de imigrante ou de Green Cards, que seguem regras e processos distintos.
Vale lembrar que essa não é a primeira ação do tipo promovida pela atual gestão. Levantamento divulgado publicamente pelo próprio Departamento de Estado no início deste mês já apontava que mais de 175 mil vistos de não imigrante haviam sido revogados desde o início do atual mandato do presidente Donald Trump, em janeiro de 2025, motivados por fatores como ocorrências policiais, suspeitas de fraude documental, violação das condições do visto e questões de segurança nacional.
O que muda para quem já está nos Estados Unidos
Um ponto importante é que a revogação de um visto de não imigrante não equivale automaticamente a uma ordem de deportação. Especialistas em imigração costumam explicar que o cancelamento do documento pode ter efeitos diferentes dependendo de onde a pessoa se encontra no momento: quem já está fora dos Estados Unidos pode simplesmente perder a possibilidade de reentrada com aquele visto, enquanto quem está dentro do país pode enfrentar consequências mais diretas sobre sua permanência, a depender da análise conduzida pelas autoridades de imigração.
Isso significa que, mesmo entre as até 200 mil pessoas potencialmente afetadas pela nova medida, os desdobramentos práticos devem variar bastante caso a caso, especialmente para quem já iniciou formalmente o processo de solicitação de asilo e aguarda uma decisão das autoridades migratórias americanas.
Um cenário de maior rigor migratório
A medida se soma a uma série de ações que a atual gestão americana vem promovendo ao longo de 2026 para apertar o controle sobre a entrada e a permanência de estrangeiros no país. Desde o início do ano, o governo já havia determinado a suspensão da emissão de vistos de imigrante para dezenas de nacionalidades, citando o risco de uso indevido de benefícios públicos por parte de solicitantes de determinados países.
Ao ampliar agora o alvo para vistos de turismo e negócios associados a pedidos de asilo, a Casa Branca reforça um discurso de que o sistema migratório americano vinha sendo usado de forma inadequada por parte de estrangeiros, e sinaliza que o rigor sobre a concessão e a manutenção de vistos deve seguir como uma das marcas centrais da política migratória do atual governo pelo restante do mandato.
A confirmação oficial da revogação, no entanto, ainda depende do anúncio formal do Departamento de Estado, que pode detalhar critérios adicionais sobre como as até 200 mil pessoas afetadas serão identificadas e notificadas nas próximas semanas.
As informações têm como base apuração publicada pelos portais: Associated Press (via U.S. News) e WHEC.com.
