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    Internacional

    Rússia condena EUA por ataques ao Irã e classifica mortes como “assassinato”

    Kremlin critica ofensiva israelense e americana contra líderes de Teerã em meio à escalada de guerra no Oriente Médio.
    Por: Pantani Mendanha18 de março de 2026
    Rússia condena EUA por ataques ao Irã e classifica mortes como "assassinato"
    Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança Nacional do Irã - Fatemeh Bahrami/Anadolu Agency/Getty Images
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    O xadrez geopolítico global entrou em uma fase de tensão sem precedentes nesta quarta-feira (18), com o governo da Rússia subindo o tom contra as operações militares dos Estados Unidos e de Israel em território iraniano. Ao classificar abertamente a eliminação de figuras do alto escalão de Teerã como “assassinatos”, o Kremlin não apenas sinaliza seu apoio diplomático ao regime persa, mas também estabelece uma linha vermelha que pode alterar drasticamente o equilíbrio de forças na Eurásia.

    A condenação russa ocorre em um vácuo de poder perigoso no Oriente Médio, onde a estrutura de comando do Irã foi decapitada em uma velocidade recorde. Para o governo de Vladimir Putin, a estratégia ocidental de “eliminação seletiva” de lideranças soberanas representa uma ameaça direta à ordem internacional e, por extensão, aos interesses russos na região, que incluem desde parcerias nucleares até a contenção da influência da OTAN.

    Contexto atual detalhado: O colapso da estabilidade regional

    O Oriente Médio atravessa o seu momento mais sombrio desde o início do século XXI. O que antes eram guerras por procuração (proxy wars) transformou-se em um conflito direto e aberto. A entrada triunfal dos EUA e de Israel no coração de Teerã, destruindo sistemas de defesa que eram considerados o estado da arte da tecnologia iraniana, deixou o mundo em alerta máximo.

    A Rússia, que possui no Irã seu principal aliado estratégico para contornar sanções e garantir presença no Golfo Pérsico, observa com cautela a degradação da soberania iraniana. A central nuclear de Bushehr, construída com tecnologia russa, é hoje um símbolo dessa parceria que vai muito além da energia: trata-se de um eixo de resistência ao que Moscou chama de “hegemonia unipolar” de Washington.

    Evento recente decisivo: A queda de Ali Larijani e o impacto em Teerã

    O estopim para a declaração contundente de Dmitry Peskov, porta-voz do Kremlin, foi a confirmação da morte de Ali Larijani, chefe do Conselho de Segurança iraniano. Larijani não era apenas um burocrata; ele era o arquiteto da estratégia de segurança nacional e um dos últimos elos de confiança absoluta do falecido líder supremo, Ali Khamenei.

    Sua morte ocorre apenas semanas após o início da guerra, em 28 de fevereiro, quando um ataque coordenado eliminou o próprio Khamenei. A perda de Larijani representa a desintegração da memória institucional e estratégica do Irã, deixando o país em uma transição de liderança sob fogo cruzado. Para a Rússia, condenar este ato é uma tentativa de frear o ímpeto americano antes que o vácuo de poder em Teerã se torne irreversível.

    Análise profunda: A aliança de conveniência e sobrevivência

    A retórica russa de “condenação inequívoca” esconde camadas profundas de necessidade mútua. Moscou e Teerã solidificaram uma relação simbiótica nos últimos anos. Enquanto o Irã fornece tecnologia de drones e uma rota alternativa de comércio, a Rússia oferece o guarda-chuva diplomático no Conselho de Segurança da ONU e inteligência técnica.

    Núcleo do problema: A desintegração da liderança

    O grande desafio desta guerra não é apenas o poder de fogo, mas a destruição da hierarquia. Com a morte de Khamenei e agora de Larijani, o Irã enfrenta uma crise de legitimidade interna e externa. A ascensão de Mojtaba Khamenei, filho do antigo líder, é vista pela Rússia como a única forma de manter alguma coesão, enquanto o Ocidente, liderado por Donald Trump, enxerga como uma perpetuação de um regime que eles pretendem extinguir.

    Dinâmica estratégica e econômica

    Economicamente, a guerra paralisou as rotas de exportação de petróleo e gás. O ataque dos EUA que destruiu dezenas de navios iranianos e sistemas de defesa aérea não apenas desarmou o país, mas também cortou o fluxo financeiro que alimentava grupos como o Hezbollah no Líbano. A Rússia sabe que, se o Irã cair totalmente, sua influência no Cáucaso e no Mar Cáspio será a próxima a ser testada pela pressão ocidental.

    Impactos diretos: A retaliação dos aiatolás

    A resposta iraniana, embora desesperada, foi vasta. Ataques contra Emirados Árabes, Arábia Saudita e outros vizinhos mostram que Teerã está disposta a incendiar a região se cair. A morte de mais de 1.200 civis no Irã e de soldados americanos cria um ciclo de ódio que torna qualquer negociação de cessar-fogo, pedida pela Rússia, quase impossível no curto prazo.

    Bastidores e contexto oculto: A guerra de informações

    Um ponto crucial levantado pelo Wall Street Journal sugere que a Rússia não é apenas uma observadora. O fornecimento de dados de satélite e inteligência em tempo real para que drones iranianos atinjam forças dos EUA é o “segredo de polichinelo” da diplomacia atual. Peskov classificou essas notícias como “desinformação”, mas a negação é o padrão diplomático quando se está no limite de uma intervenção direta.

    O fato de os EUA afirmarem que “não têm informações” sobre essa cooperação russa pode ser uma tentativa de Washington de evitar uma escalada direta com Moscou, mantendo o conflito contido ao território iraniano, enquanto a Rússia continua a testar os limites do apoio técnico.

    Comparação histórica: De 1979 ao caos de 2026

    A história do Irã moderno é marcada pela Revolução de 1979, que expulsou a influência americana. O que vemos hoje é o reverso dessa medalha. Se em 79 os EUA foram pegos de surpresa pela ascensão dos aiatolás, em 2026 eles parecem determinados a corrigir o que consideram um “erro histórico” através da força bruta.

    A postura russa remete ao período da Guerra Fria, onde cada movimento no Oriente Médio era calculado para evitar que o outro lado ganhasse uma vantagem definitiva. No entanto, em 2026, a velocidade da tecnologia e a precisão dos ataques tornam o equilíbrio muito mais frágil do que nas décadas de 70 ou 80.

    Impacto ampliado: A economia global em xeque

    O conflito já transbordou para o Líbano e ameaça envolver o Hezbollah em uma guerra total com Israel. Para o mundo, isso significa instabilidade no preço das commodities e uma crise humanitária de grandes proporções. A Rússia, ao se posicionar como defensora da soberania iraniana, tenta se vender ao “Sul Global” como a única potência capaz de se opor ao intervencionismo americano, usando o conflito para fortalecer laços com outras nações que temem o mesmo destino.

    Projeções futuras: O destino de Mojtaba Khamenei

    O cenário para os próximos meses é de incerteza absoluta. A eleição de Mojtaba Khamenei como Líder Supremo coloca o Irã em um caminho de resistência ortodoxa. Sem o carisma do pai e sob a rejeição declarada de Donald Trump — que chamou a escolha de “grande erro” — Mojtaba terá que decidir entre uma rendição negociada mediada pela Rússia ou a resistência até a destruição total da infraestrutura do país.

    Cenários prováveis:

    1. Aprofundamento da ajuda russa: Moscou pode começar a fornecer sistemas antiaéreos S-400 mais avançados para tentar frear a supremacia aérea de Israel e dos EUA.
    2. Fragmentação interna: Sem líderes experientes como Larijani, o Irã pode sofrer uma guerra civil interna entre reformistas e a Guarda Revolucionária.

    Conclusão

    A condenação da Rússia aos ataques dos EUA e de Israel não é meramente retórica; é um manifesto de sobrevivência geopolítica. Ao usar o termo “assassinato”, o Kremlin remove a legitimidade das operações militares ocidentais e prepara o terreno para uma possível cooperação militar ainda mais agressiva. O mundo assiste a uma mudança tectônica onde o Irã é o campo de batalha, mas o controle da narrativa global é o verdadeiro prêmio. A manutenção de Mojtaba Khamenei no poder, com o aval de Moscou e o desprezo de Washington, ditará o ritmo dos próximos capítulos desta guerra que já redesenhou o mapa do poder no século XXI.


    As informações têm como base apuração publicada pelo portal: CNN Brasil

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