O conflito militar envolvendo os Estados Unidos, Israel e o Irã completa um mês neste sábado (28) com um cenário de incerteza global. Desde o início das hostilidades em 3 de março, a região mergulhou em uma espiral de violência que resultou na morte de lideranças iranianas e no bloqueio de rotas comerciais vitais. No entanto, o que marca este primeiro um mês de guerra no Irã é o contraste entre a realidade do campo de batalha e o discurso de Donald Trump, que repetidamente declara vitória precoce.
Enquanto o presidente americano afirma que o inimigo está “dizimado”, a troca de mísseis persiste, o Estreito de Ormuz permanece bloqueado e os preços dos combustíveis pressionam a economia mundial. Entender essa cronologia de declarações é fundamental para medir a temperatura da crise e as intenções da Casa Branca.
A linha do tempo do otimismo de Trump: De “tudo destruído” a “estão implorando”
Logo nos primeiros dias da ofensiva, após bombardeios atingirem Teerã e eliminarem figuras do alto escalão do regime, Trump iniciou uma série de postagens e discursos afirmando que a guerra estava tecnicamente resolvida.
Início de março: A suposta queda do regime
No dia 3 de março, apenas três dias após os primeiros ataques, o republicano afirmou que “praticamente tudo” no Irã já havia sido destruído. Ao ser questionado sobre a sucessão do Líder Supremo, ironizou dizendo que a maioria dos nomes que os EUA “tinham em mente” para o cargo haviam morrido nos ataques.
Na semana seguinte, em 7 de março, Trump rotulou o país como o “perdedor do Oriente Médio”, prevendo um colapso total em questão de dias. Em 9 de março, ele foi além: afirmou que o Irã não possuía mais Marinha ou Força Aérea para se defender, embora tenha ameaçado atacar o país “20 vezes mais forte” caso o Estreito de Ormuz não fosse liberado.
O endurecimento do discurso: Sem interesse em cessar-fogo
Conforme o conflito avançou para a segunda quinzena, as declarações de Trump tornaram-se mais agressivas. Em 11 de março, ele celebrou relatos de ferimentos no novo líder, Motjaba Khamenei, alegando que os EUA “derrubaram a liderança duas vezes”.
Mesmo com a pressão internacional por uma trégua, o presidente americano foi taxativo em 20 de março:
“Não se faz um cessar-fogo quando se está literalmente aniquilando o outro lado… não é isso que queremos.”
Essa postura de “rendição incondicional” ignora o fato de que o Irã mantém bombardeios contra Israel e aliados americanos na região, provando que o poder bélico de Teerã, embora atingido, não foi neutralizado.
Impacto econômico e a “morte” do inimigo
Na reta final deste primeiro mês, Trump passou a usar a guerra como munição política interna. Em 22 de março, declarou que o “Irã está morto” para atacar seus opositores democratas, chamando-os de “inimigo maior” do que o regime estrangeiro.
Nesta última quinta-feira (26), o tom mudou para uma suposta negociação. Trump afirmou que o governo iraniano está “implorando” por um acordo de paz, mas manteve a postura de desdém: “Estou o oposto de desesperado. Bombardeamos eles diariamente”.
O que se sabe sobre a situação atual
Apesar da retórica da Casa Branca, o cenário real aponta para um impasse perigoso:
- Estreito de Ormuz: Segue fechado, impactando o fluxo global de petróleo.
- Liderança: O Irã tenta reorganizar seu comando em meio a ataques constantes.
- Vias Diplomáticas: Não há progresso real em mesas de negociação coordenadas pela ONU ou países neutros.
Possíveis desdobramentos
O próximo mês de conflito será decisivo. Se as usinas de energia iranianas forem atingidas, como Trump ameaçou em 21 de março caso a rota marítima não seja aberta, a crise humanitária e econômica poderá atingir níveis sem precedentes. A “vitória” cantada por Trump será testada pela capacidade de resistência do regime e pela paciência dos aliados ocidentais com a alta dos preços e o risco de uma guerra total.
As informações têm como base apuração publicada pelo portal: G1.
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