O candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) participou neste sábado (22/8) de um ato de campanha no Rio de Janeiro, cidade que também recebeu manifestação simultânea do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante o discurso, o eixo central foi a segurança pública, tema em torno do qual Flávio apresentou uma série de propostas caso seja eleito.
Combate ao crime organizado como bandeira central
Flávio afirmou que pretende classificar organizações como o PCC, o Comando Vermelho e milícias como grupos terroristas, caso seja eleito. Defendeu ainda o endurecimento das punições para criminosos, incluindo penas mais longas para crimes como o roubo de celulares, e propôs que condenados trabalhem durante o cumprimento de pena para custear sua permanência no sistema prisional e indenizar vítimas.
O candidato também anunciou a intenção de adotar a castração química para autores de crimes sexuais contra mulheres e crianças, além de mecanismos tecnológicos voltados à proteção das mulheres. Chamou as organizações criminosas de “narcoterroristas” e declarou que pretende adotar uma postura de confronto direto contra esses grupos a partir do início de um eventual mandato, em janeiro do próximo ano.
Lançamento da candidatura de Douglas Ruas
Um dos pontos centrais do evento foi a apresentação da candidatura de Douglas Ruas ao governo do Estado do Rio de Janeiro, iniciativa apoiada por Flávio como parte de um projeto de oposição ao PT na esfera estadual. Segundo o candidato à Presidência, a escolha do nome de Ruas foi discutida anteriormente com o ex-presidente Jair Bolsonaro, durante um ato em Copacabana realizado em setembro do ano passado, ocasião em que o pai teria manifestado apoio à ideia.
Flávio descreveu Ruas como uma das lideranças mais preparadas para assumir o comando do Estado, destacando sua capacidade de dialogar com diferentes regiões do Rio de Janeiro e levar as demandas da população ao Palácio Guanabara, sede do governo estadual.
Educação, emprego e programas sociais
Além da pauta de segurança, o candidato apresentou propostas para as áreas de educação e qualificação profissional. Defendeu a manutenção de programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, e da aposentadoria, mas afirmou que essas políticas deveriam representar apenas o ponto de partida da atuação do Estado, e não o limite das ações de um eventual governo.
Entre as iniciativas mencionadas, Flávio citou a ampliação do ensino técnico e uma maior aproximação entre escolas e empresas, com o objetivo de preparar estudantes para ingressar diretamente no mercado de trabalho. Também anunciou a intenção de criar um programa batizado de “Minha Primeira Empresa”, voltado a incentivar o empreendedorismo entre jovens ao final da formação escolar ou profissionalizante.
Críticas ao governo Lula
Parte significativa do discurso foi construída em contraposição ao governo federal. Flávio questionou publicamente a sensação de segurança da população sob a atual gestão e associou o cenário de violência enfrentado no Rio de Janeiro à administração petista. Também mencionou o uso de drones com explosivos por grupos criminosos, afirmando que crianças estariam sendo recrutadas pelo tráfico para operar esses equipamentos — um contraste, segundo ele, com a própria infância vivida na cidade.
O candidato reforçou a narrativa de que sua candidatura representaria “as ruas”, em oposição a adversários que, segundo ele, estariam mais próximos dos “palácios” de poder.
Ameaças e segurança pessoal
Durante a fala, Flávio também comentou o esquema de segurança que afirma utilizar em sua rotina de campanha, incluindo carro blindado e colete à prova de balas. Segundo ele, já recebeu mais de duas mil ameaças de morte desde o início da disputa eleitoral. Apesar disso, disse pretender manter a campanha e afirmou que não pretende recuar diante de intimidações.
O contexto da disputa no Rio
O ato de Flávio ocorreu no mesmo dia em que Lula também promoveu uma manifestação na cidade, em uma demonstração simultânea de força política entre os dois principais polos da disputa presidencial de 2026. O Rio de Janeiro tem se consolidado como um dos palcos centrais da campanha, tanto pela disputa presidencial quanto pela corrida ao governo estadual, agora com a candidatura de Douglas Ruas oficialmente apresentada pelo entorno bolsonarista.
As informações têm como base apuração publicada pelo portal: Correio Braziliense.
