Eleições 2026 no Paraná: O cenário que explica a liderança de Moro e a trava do Palácio Iguaçu
A corrida para o Governo do Estado nas eleições 2026 no Paraná desenha um cenário político intrigante e paradoxal no Sul do país. De um lado, a liderança consolidada do senador Sergio Moro (PL) nas pesquisas de intenção de voto assenta-se sobre a memória viva da Operação Lava Jato e o alinhamento com a direita antipetista. Do outro, o governador Ratinho Junior (PSD) ostenta uma aprovação popular expressiva — superior a 80% —, mas enfrenta um gargalo inesperado ao tentar converter esse prestígio em votos para o seu indicado. A disparidade entre a avaliação do governo e a herança eleitoral do sucessor expõe as complexas engrenagens que definem a disputa pelo Palácio Iguaçu.
O paradoxo da sucessão: Aprovação alta, transferência reprimida
O quadro eleitoral paranaense apresenta um fenômeno analítico marcante. Levantamentos recentes do instituto Quaest indicam que a grande maioria dos eleitores reconhece o mérito do atual governador em influenciar o pleito e concorda que Ratinho Junior “merece eleger um sucessor”. No entanto, quando testada a intenção direta de voto no nome apadrinhado pela máquina estadual (o candidato Sandro Alex, do PSD), a conversão fica em torno de 15%.
Essa disparidade aponta para um atraso crônico no planejamento da chapa governista. Enquanto Ratinho Junior mantinha o foco em construir uma projeção nacional para o Planalto — projeto do qual desistiu em março para focar na articulação estadual —, o grupo político demorou a carimbar um nome definitivo para a disputa local. A hesitação deu espaço para que o eleitor associasse a marca do governo à gestão em si, e não a um projeto de continuidade encarnado por um substituto direto.
O fator Lava Jato e o recall de Sergio Moro
Em contraste com a movimentação tardia do PSD, Sergio Moro atua em ritmo de pré-campanha ostensiva desde a virada de ano. A figura do ex-juiz federal mantém apelo junto ao eleitorado conservador do estado, que enxerga nele o símbolo do combate à corrupção promovido pela Operação Lava Jato.
Ao migrar para o PL e garantir o apoio ostensivo do eleitorado de direita, Moro absorveu a preferência daqueles que buscam uma candidatura forte para enfrentar o campo progressista. O recall da eleição ao Senado em 2022 somado à altíssima taxa de conhecimento do seu nome no interior e na região metropolitana de Curitiba criam um piso eleitoral sólido. Moro aposta na estratégia de nacionalizar o debate, posicionando-se como o contraponto firme à esquerda e utilizando a projeção dos anos de Magistratura como principal credencial administrativa e ética.
Polarização nacional e o desgaste da esquerda no estado
A dinâmica do eleitorado paranaense continua fortemente influenciada pela rejeição nacional ao Partido dos Trabalhadores. O eleitor do estado, historicamente refratário ao lulismo nas disputas majoritárias locais, tende a punir candidatos alinhados ao Palácio do Planalto.
- A barreira da rejeição: Candidaturas identificadas com o governo federal encontram um teto rígido de crescimento, acumulando taxas de rejeição que superam os 40%.
- Impacto no eleitorado de centro: O forte sentimento antilulista no estado restringe o espaço para discursos moderados, forçando os postulantes ao cargo a definirem claramente em qual espectro ideológico se posicionam.
A polarização dificulta o surgimento de uma “terceira via” puramente regional, fazendo com que a disputa nacional se imponha sobre as pautas locais de infraestrutura e gestão pública.
Fragmentação e o papel dos indecisos na reta final
Com um contingente de eleitores indecisos girando perto dos 18%, a disputa no Paraná preserva margem para reviravoltas. A fragmentação das candidaturas alternativas (como as federações de centro e esquerda) e a presença do ex-prefeito de Curitiba, Rafael Greca (MDB), compondo como vice na chapa governista, buscam injetar apelo popular à candidatura do PSD.
Greca traz para o grupo governista um recall de imagem na capital e Região Metropolitana, com a missão expressa de preencher a lacuna de conhecimento que hoje trava o crescimento de Sandro Alex. Se o grupo de Ratinho Junior conseguir associar de forma eficiente a aprovação recorde do governo à chapa oficial, o cenário de primeiro turno ainda pode ganhar contornos mais acirrados.
Projeções para o Palácio Iguaçu
A tendência para os próximos meses aponta para o acirramento do confronto entre dois modelos de apelo popular no Paraná:
- A via da identidade ideológica: Liderada por Moro, apoiada na força da pauta nacional, no antipetismo e no resgate do legado da Lava Jato.
- A via da transferência de gestão: Liderada por Ratinho Junior, focada na entrega de obras, no pragmatismo econômico e na alta popularidade do mandato.
A definição da eleição dependerá da capacidade do Palácio Iguaçu em converter aprovação em intenção de voto real, e da resistência da liderança de Moro perante o início do horário eleitoral e o uso intensivo da máquina pública pela chapa situacionista.
“As informações têm como base apuração publicada pelo portal: G1.”
