O Serviço Secreto dos Estados Unidos confirmou que está apurando um vídeo divulgado por uma emissora estatal iraniana que parece ameaçar diretamente a vida de Barron Trump, filho mais novo do presidente Donald Trump. É a primeira vez que o nome do jovem aparece de forma explícita em uma peça de propaganda ligada ao regime de Teerã, um sinal de que a escalada retórica entre os dois países passou a atingir também a geração mais jovem da família presidencial americana.
O material, veiculado pela IRIB — rede estatal cujo comando é indicado diretamente pelo líder supremo iraniano —, tem cerca de três minutos e abre com uma frase em inglês questionando onde seria possível atingir Barron Trump. Em seguida, o vídeo exibe representações gráficas de locais frequentados publicamente pelo jovem, entre eles a Trump Tower, em Nova York, sugerindo um mapeamento de sua rotina a partir de informações já conhecidas.
Segundo apuração da CNN, perto do encerramento a narração menciona que haveria pessoas aguardando para receber uma recompensa em dinheiro pela morte do rapaz, valor estimado em US$ 10 milhões segundo as imagens divulgadas. O porta-voz do Serviço Secreto americano, Nate Herring, declarou à emissora que o órgão está ciente do conteúdo e investiga qualquer material que possa ser interpretado como ameaça contra pessoas sob sua proteção, reforçando que, por motivos de segurança operacional, detalhes de inteligência não são discutidos publicamente.
Contexto: uma escalada que já dura meses
Esse episódio não é isolado. Desde o início do conflito armado entre Estados Unidos, Israel e Irã, ocorrido no início do ano, e a morte do então líder supremo iraniano Ali Khamenei e de parte de sua família durante os combates, veículos de comunicação ligados à ala mais radical do regime iraniano vêm produzindo, de forma recorrente, conteúdos hostis à família Trump. Até aqui, o alvo mais frequente havia sido a primeira-dama Melania Trump, mencionada em ameaças anteriores. A inclusão de Barron marca, portanto, uma mudança de padrão: pela primeira vez um filho do casal presidencial é citado nominalmente como possível alvo.
Fontes ligadas à segurança federal americana afirmam que esse vídeo integra uma campanha mais ampla de produções audiovisuais originadas no Irã com o objetivo de intimidar tanto o presidente quanto seus familiares. Parte desse material já incluiu, segundo essas fontes, indicações sobre a movimentação de parentes de Trump e sugestões sobre como agir contra eles. Diante desse cenário, as equipes de proteção presidencial vêm ajustando constantemente seus protocolos, com base em informações compartilhadas por diferentes agências de inteligência, corporações policiais e parceiros internacionais.
O histórico de ameaças contra o próprio presidente
O caso de Barron se soma a uma sequência de episódios em que o próprio Donald Trump reconheceu publicamente temer por sua segurança em razão do conflito com o Irã. Em julho, durante a cúpula da Otan realizada na Turquia, o presidente chegou a comentar que sabia estar em algum tipo de lista de alvos, mas que, até aquele momento, considerava ter tido sorte — embora reconhecesse que essa sorte poderia não durar. Na ocasião, ele classificou os responsáveis pelas ameaças como pessoas perigosas.
Ainda segundo relatos, Trump deixou o território turco de forma sigilosa, embarcando escondido em um veículo de serviço de bordo antes de seguir viagem em uma aeronave militar alternativa — não em uma das versões tradicionais do Air Force One. A manobra teria sido motivada por uma ameaça específica envolvendo o uso de um míssil portátil, considerada crível o suficiente para levar as autoridades a temerem pela integridade física do presidente caso ele utilizasse os meios de transporte convencionais.
Esse tipo de alerta não é novo. Desde 2020, quando Trump autorizou o ataque que resultou na morte do general iraniano Qasem Soleimani, o governo americano já sinalizava a possibilidade de retaliações direcionadas ao próprio presidente. Durante as cerimônias fúnebres em homenagem a Khamenei, neste ano, apoiadores do regime chegaram a exibir publicamente cartazes pedindo a morte de Trump, oferecendo recompensas a quem “vingasse” a liderança iraniana morta no conflito.
Um padrão histórico de retórica hostil
Manifestações contrárias aos Estados Unidos, com gritos de hostilidade e queima de bandeiras americanas, fazem parte do repertório de atos oficiais promovidos pelo Estado iraniano desde a Revolução Islâmica de 1979, que instaurou o regime teocrático atualmente no poder. O novo vídeo, porém, representa um salto qualitativo nessa retórica, ao migrar do discurso genérico contra os Estados Unidos para a menção direta e nominal a um jovem que, até então, permanecia fora do centro dessas campanhas de intimidação.
Procurada pela CNN, a Casa Branca ainda não se manifestou publicamente sobre o vídeo.
O que esperar daqui para frente
A tendência, segundo especialistas em segurança acompanhando o caso, é de reforço nos protocolos de proteção destinados não apenas ao presidente, mas a todo o núcleo familiar mais próximo, incluindo Barron. Também é esperado que agências de inteligência intensifiquem o monitoramento de canais estatais iranianos para identificar antecipadamente novos conteúdos do mesmo tipo, dado o padrão já estabelecido de campanhas recorrentes.
O episódio reforça como o conflito entre Washington e Teerã, iniciado como confronto militar direto, se desdobra agora também no campo da guerra psicológica e da propaganda digital — com a família presidencial americana, incluindo seus membros mais jovens, cada vez mais exposta nesse tabuleiro.
As informações têm como base apuração publicada pelo portal CNN Brasil.
